Primeira Carta de John Lennon ao Pai Alfred


Esta primeira carta de John ao seu pai foi em resposta a uma nota de Freddie expressando seu pesar sobre o falecimento de Brian Epstein, que tinha morrido apenas quatro dias antes. A referência a 'Charles' é para o tio de John, Charlie Lennon, que tinha recentemente escrito a John revelando que tinha sido a gravidez de sua mãe Julia por outro homem, a verdadeira causa da separação de seus pais, algo que a Tia Mimi sempre o levou a acreditar que tivesse sido inteiramente culpa do seu pai.

Esta surpreendente revelação, combinado com o choque da morte de Brian e a recém descoberta da consciência espiritual de John (ele havia passado a semana anterior em Bangor com o Maharishi), tinha aparentemente dissolvido algumas de suas longas amarguras que ele guardava com relação a seu pai e resultou em mais uma abordagem conciliatória. Maliciosamente consciente do impacto que sua carta era susceptível de ter, John tinha rascunhou "Adivinha quem?" no verso do envelope.

Reproduzido em 'Daddy Come Home: The True Story Of John Lennon And His Father',
Pauline Lennon, Angus & Robertson, 1990.


'Dear Alf Fred Dad Pater whatever, Its the first of your letters I've read without feeling strange', and continuing '...I'm going to India a couple of months so I'll try and make sure we meet before then. I know it will be a bit awkward when we first meet and maybe for a few meetings but there’s hope for us yet. I'm glad you didn't land yourself with a bloody big family – it’s put me off seeing you a little more - I've enough family to last me a few lifetimes...P.S Don't spread it I don't want Mimi cracking up! (press I mean)', with original envelope postmarked 1 SEP 1967, the reverse annotated by John guess who?

«Caro Alf Fred Pai Pater seja lá o que for, é a primeira de suas carta que eu li sem me sentir estranho... eu vou para a Índia por alguns meses sendo assim eu vou tentar certificar-me que nos encontremos antes disso. Eu sei que será um pouco constrangedor quando nós nos encontramos pela primeira vez e talvez por alguns encontros, mas ainda há esperança para nós. Fico feliz que você não tenha arrumado uma maldita grande família – isso me deixa mais a vontade para vê-lo um pouco mais - Eu tenho problemas com família suficientes para outras vidas... PS: Não espalhe 'Não quero que Mimi fique tendo chiliques! (imprensa, quero dizer) », com carimbo original no envelope de 1º de setembro de 1967, o inverso da carta está anotado por John “adivinhe quem?”

Tradução: Sergio Machado (editor desse blog)

McCartney e os Fantasmas do Passado

Trecho de uma entrevista dada por Macca 1 hora antes do show em Tel Aviv, em setembro de 2008 a Mark Edmonds. Título da Matéria: “Sir Paul McCartney Confronta Seus Fantasmas do Passado “

Em 1971, Lennon lançou uma canção chamada How Do You Sleep? A mesma visava McCartney – um ataque bilioso e vituperativo ataque, o escarneando, acusando-o de possuir uma mentalidade de pequeno burguês suburbano e estar sob o controle de sua esposa Linda - "Você vive com caretas que lhe dizem que você era rei... Teimava quando sua mãe lhe dissesse qualquer coisa...”


O fato de George e Ringo também terem participado da gravação dessa faixa tornou as coisas ainda mais dolorosas. Para o seu crédito, McCartney tentou construir pontes, contatando Lennon quando ele estava em Nova York, mas fontes dizem que ele foi sistemática e rudemente rejeitado. Em 1972 eles realmente se encontraram brevemente - e friamente. O biógrafo de Lennon, Philip Norman, refere-se a uma trégua que logo se evaporou, embora McCartney ainda quisesse se comunicar. Ele ligava para Lennon regularmente, muitas vezes para ser saudado com "Que porra você quer, cara?" Por algum motivo Lennon estava particularmente irritado com a tendência de McCartney de falar sobre suas crianças. John disse que o homem que ele uma vez de forma indiferente descreveu como o melhor Relações Públicas no negócio tinha-se tornado "todas as pizzas e contos de fadas". É difícil escapar à conclusão de que Lennon poderia ser um desajeitado esnobe. Eles tocaram juntos apenas uma vez após a separação, na casa de Lennon em Santa Monica. McCartney e Linda chegaram e juntaram-se a uma Jam session formada de estrelas.


Os antigos amigos se reuniram pela última vez durante um incômodo jantar em Nova York aproximadamente dois anos antes da morte de Lennon: uma pessoa que esteve lá disse que eles não tinham nada a dizer um ao outro.


McCartney parece dolorosamente consciente da sombra que John ainda lança sobre a sua vida três décadas mais tarde. Ele iria viver para lamentar a incrível observação leviana que fez na TV quando perguntado sobre a morte de John: "Droga, né?" Um clipe disso acabou no YouTube; McCartney parece insensível, mas aqueles próximos a ele o defendem vigorosamente. McCartney estava em choque com a perda do seu amigo mais próximo desde sempre, dizem, e por uma vez a sua compostura o abandonou. Dois anos mais tarde, quando a BBC filmou McCartney gravando uma edição especial do Desert Island Discs, ele chorou quando falou sobre Lennon.


Ao longo de nossas conversas McCartney gosta de voltar ao assunto de Lennon. Existe o sentimento que a seu prodigioso e intenso, por vezes tóxicos, relacionamento nunca está longe de sua mente. Pergunto se ele nunca iria considerar tocar How Do You Sleep? de Lennon. Ele não morde a isca. "Talvez eu não fizesse isso. Duvido”, ele responde com um sorriso torto. Mas o inspira a uma tentativa de esclarecer, para envernizar o epitáfio e insistir que a amizade entre Lennon / McCartney sobreviveu e resistiu. "A resposta para John foi, bem - eu estava dormindo muito bem na época.”

Alfred Lennon - um pouco de sua história

A maior parte das informações desse texto, pós-1990 vem do livro “Daddy Come Home: The True Story of John Lennon and His Father” de Pauline Lennon, a segunda esposa de Freddy Lennon, o pai de John. O livro foi escrito principalmente utilizando a autobiografia não publicada de Freddy Lennon, que foi escrita durante o seu afastamento do John; Freddy queria dar o manuscrito à Lennon após a sua morte, para que John viesse a conhecer a verdadeira história de sua vida e o desmembramento de seu casamento com a mãe de John. Contrariamente a popular "lenda urbana", Freddy não abandonou John Lennon com cinco anos de idade, em seguida, e apareceu durante a Beatlemania com a mão para estendida. Freddie Lennon não era perfeito, mas ele fez inúmeras tentativas para manter seu casamento para o bem do John, assim como para ser um bom pai.

Poucas pessoas sabem que John Lennon tinha uma meia-irmã que desapareceu da face da terra. Durante a guerra, Freddy Lennon era um marinheiro mercante que regularmente enviada o seu dinheiro para sua esposa Julia e seu filho John. Freddy passava inacreditavelmente longos períodos de tempo no mar. Em 1944, Julia Lennon, mãe de John, iniciou um caso amoroso com um soldado galês chamado galês Williams, que estava estacionado em Liverpool. Ela já tinha em mente o divórcio Freddy. Julia engravidou de Williams.

Freddy veio para casa e para seu choque Julia estava grávida. Ele foi confrontar o soldado. Ele começou por dizer o soldado que ele ainda amava Julia. O soldado disse que ele queria se casar com Julia. Freddy sugere que os dois fossem conversar com Julia.

De volta à sua casa, Freddy fez a oferta que ele ia ficar ao lado de sua esposa e criar a criança como seu filho, mas Julia o rejeitou com um audacioso comentário. Freddy, em seguida, fez menção do bebê e do fato de que o soldado galês queria se casar com ela. Julia disse imediatamente o soldado galês para "sumir".

O soldado Galês Williams, estava em choque absoluto, tanto que Freddy e seu irmão mais novo Charlie se sentiram tão mal por ele que o levaram para tomar uma bebida para consolar o rapaz. O soldado disse que seus pais eram ricos e que ele tinha a certeza que iriam adotar o bebê. Freddy parecia acreditar que esta era uma boa idéia.

No entanto, Julia decidiu dar o bebê para adoção. Não só ela via o bebê como empecilho ao seu despreocupado estilo de vida, mas também a sua própria família estava pressionando-a para que abandonasse a criança, também.

Em 19 de junho de 1945, Julia deu à luz Julia Victoria Williams, que foi rapidamente adotada por um capitão norueguês. Os registros foram destruídos em Liverpool. John nunca soube que ele tinha essa meia-irmã até que ele fosse um adulto. Ele pediu a seus advogados para que colocassem anúncios em jornais noruegueses e contratou um detetive particular, mas nada aconteceu.

Naturalmente, muitas excêntricas fugiram da palavra trabalho alegando ser a meia-irmã de John. No entanto, em 1996, uma mulher norueguesa chamada Ingrid decidiu pesquisar sobre sua os registros de sua adoção e teve uma grande surpresa! Ingrid não tomou qualquer atitude até alguns anos mais tarde, porque ela queria esperar até depois da morte de sua mãe adotiva porque ela sentiu que, caso contrário teria magoado sua mãe demasiadamente. Ingrid tinha todas as provas documentais e só tomou a atitude de dar um tempo à coisa toda. Ela disse que se sentia lisonjeada em ter parentesco coma John Lennon, mas disse que sua família, mas que sua família adotiva era a sua verdadeira família. Ela seguiu carreira e trabalhou como gerente de uma empresa que fazia limpeza em casas sofisticadas e que estava muito satisfeita com sua vida. Ingrid retornou ao seu anonimato e nunca tentou tirar vantagens financeiras de sua conexão com John Lennon.

Tradução e organização de texto: Sergio Machado

A Carta de Julian Lennon Sobre os 20 Anos da Morte de John


Muitas pessoas têm me telefonado e mandado e-mails com perguntas sobre os Beatles, sobre papai e sobre quais são meus pensamentos no aniversário de 20 anos de sua morte. Eu decidi que quando os sinos badalares e os fogos forem queimados no fim do ano, em 2001, eu vou finalmente parar de falar sobre papai e sobre os Beatles para qualquer um exceto por dizer que eles foram uma grande influência em minha vida, musicalmente! Tudo já foi dito e eu não tenho mais nada o que oferecer. Eu sinto que, no passado, várias pessoas me consideraram um livro de conhecimentos sobre esta questão, o que eu realmente não sou! Eu nasci John Charles Julian Lennon, no dia 8 de abril de 1963 e vivi com meu pai biológico, John Lennon, por apenas alguns anos. Depois disso, eu só o vi um punhado de vezes antes que ele fosse assassinado. Tristemente, eu nunca conheci o homem realmente. Eu considero o trabalho que ele produziu incrível, assim como o que ele alcançou com seus três amigos, Paul, George e Ringo. Porém, seu trabalho não me deu uma visão clara do que sua vida realmente era ou sobre como ele se sentia a respeito.
A vida é difícil o bastante. Tentar achar a própria identidade a torna ainda mais difícil, especialmente quando não é permitido que você seja você. Como você poderia definir sua própria personalidade quando todas as pessoas exigem de você respostas sobre a vida de outra pessoa. Uma vida para qual você não tem respostas! Eu não sou John Lennon e nunca serei! Eu nunca vivi sua vida e nunca viverei! Ainda assim, muitas pessoas acham que eu tenho todas as respostas! Bem... Eu não tenho! Eu sinto muito por todas as almas perdidas que têm que procurar pela verdade fora de si próprias. Tudo vem de dentro, é só uma questão de entrar em contato com isso. Você se informa com o que vem de fora, mas você entende por dentro.
Passei por uma série de relações de amor e ódio com papai, se ele estava aqui ou não. Eu acho que é bem parecido com qualquer outro relacionamento, exceto pelo fato do nosso ser público e exposto para que todos vissem se eu gostava ou não. Houve muita raiva em minha vida durante a minha adolescência porque eu não entendia o que estava acontecendo ou pela a que as coisas eram do jeito que eram. Eu tinha bastante ódio de papai por causa de sua negligência e sua atitude de paz e amor. Essa paz e esse amor nunca chegaram até mim. Imagino o que teria sido se ele estivesse vivo hoje. Acho que iria depender de ele ser 'John Lennon' (papai) ou 'John Ono Lennon' (alma perdida e manipulada).
Assim que eu comecei a prestar atenção em sua vida e realmente entendê-lo, comecei a me sentir tão triste por ele. Porque ele outrora havia sido uma luz-guia, uma estrela que brilhava para todos nós, até ser sugado para dentro de um buraco negro e toda a sua força, consumida. Embora ele fosse definitivamente receoso quanto à paternidade, a combinação disso com de sua vida com Yoko Ono conduziu nosso relacionamento ao rompimento. Nós não nos vimos por longos períodos e, como diz o provérbio, fora da vista, fora da memória. Porém os Beatles não desempenharam papel algum ou o que quer que seja em nossa separação.
De qualquer maneira eu só gostaria de dizer que, onde quer que ele esteja, espero que ele perceba os erros que cometeu assim como eu percebi e espere nunca repeti-los. Eu tenho um irmão e amo Sean demais e espero que ele seja capaz de lidar com seu destino. Uma coisa é certa: ele tem um irmão mais velho que vai protegê-lo e amá-lo até o fim, aconteça o que acontecer.
Mantenha o queixo erguido, garoto!
Espero que você faça a coisa certa sobre papai. Tomara que o karma prevaleça.
E papai, onde quer que esteja que sua luz brilhe tanto quanto a nossa!


Julian Lennon
“4 de dezembro, 2000”

Tradução:

Sergio Machado

Rocky Raccoon e a tal "Gideon's Bible"


A “Gideon’s Bible” (Bíblia de Gideon) é na verdade, um produto de uma "empresa" cristão-evangélica dedicada a distribuir cópias da Bíblia em mais de 80 idiomas em mais de 180 países. A empresa ganhou fama por distribuí-las em quartos de hotéis. A empresa foi fundada em 1899 em Boscobel, Wisconsin como uma organização de apoio a Igreja Católica. Começou distribuindo bíblias gratuitas em 1908, quando as primeiras bíblias foram colocadas nos quartos do Hotel Superior em Iron Mountain, Montana. (foto abaixo)

Para ter acesso ao site da empresa, basta clicar no link http://www.gideons.org. Essa distribuição de bíblias acabou virando "conto do vigário" como bem retrata o filme "Lua de Papel" dirigido por Peter Bogdanovich em 1973, onde muitos aplicavam o golpe da bíblia nos anos da Grande Depressão norte-americana. Os cruzamentos de informações são inúmeros! Apenas como curiosidade musical, o tal Rocky Raccoon, o marido traído por Magil, nessa estória ambientada em cenário de Velho Oeste Americano, na verdade acha que o amante de Magil chamava-se Gideon (segundo o próprio McCartney explica!), meio que para estereotipar “Rocky” como um sujeito "tosco".


Ajudando os Viajantes a Manter a Fé


A Gideons foi uma idéia original de dois caixeiros viajantes forçados a compartilhar um quarto em um lotado hotel em Wisconsin em 1898. John Nicholson e Samuel Hill, ambos cristãos evangélicos, deram início a uma organização voltada a viajantes comerciais no ano seguinte. Um terceiro fundador, Will Knights, escolheu o nome Gideons inspirado no nome do herói bíblico citado nos capítulos seis e sete do Livro dos Juízes constante no Velho de Testamento. O Gideon Bíblico abate seus inimigos em batalha, mas foi escolhido como uma figura que colocou a fé e obediência a Deus perante seu próprio julgamento.


Em suma:
Prevalece a máxima: "Business as Usual"... e os Beatles, ou melhor, Paul McCartney,  soube fazer bom proveito do business norte-americano!







Toe Jam

Se Lenno fez menção de toe-jam em Come Together...

Aqui vai uma bela toe-jam! Este é Tony Melendez....

Considerações Sobre o Filme Let it Be dentro de uma Perspectiva Existencialista

O filme Let it Be a meu ver, é “Existencialista” por excelência, do ponto de vista onde os Beatles acabaram atingindo o significado e a essência de suas vidas, em oposição de sua existência como banda ter sido criada por outros, no caso, a Beatlemania, o sonho a ser realizado imposto por outras entidades, no caso, os fãs. Os Beatles não deixaram de ser um grande produto da mídia em plena era onde se discutia a “Aldeia Global”. Foram consumidos por entidades externas, se deixaram consumir e por conseqüência funcionaram como marionetes de um sistema que deles necessitava para a perpetuação de ideais Platônicos. Não se tratava de conhecer as necessidades individuais, as necessidades que levam à satisfação individual.

Eu entendo o filme como o a manifestação do repúdio de pertencer a qualquer adequação de qualquer organismo independentemente de crenças, fetiches, carências de terceiros e especialmente dos sistemas. Entendo que seja a insatisfação com o superficial.

Dentro da máxima existencialista de que “a existência precede a essência”, podemos entender que a “existência” dos Beatles predominou sobre a “essência” de cada Beatle individualizado. Os Beatles foram muito mais focalizados e determinados como um uno para satisfazer-se o ideal Platônico do sistema, em detrimento à essência de cada membro da banda. O filme mostra (para mim) a rebelião contra as idéias Platônicas, onde um agrupamento de pessoas é a verdadeira realidade por trás das aparências das coisas mundanas.

O que o filme nos proporciona é a visão de um Beatle individualizado, por isso a dissensão daqueles que se definem ou se descobrem. Dentro do que preconiza Jean-Paul Sartre, o homem primeiramente existe, surge para o mundo e posteriormente se define. Enxergo o filme Let it Be sob essa ótica, onde a “posterior definição” de cada um dentro de suas “essências” é o elemento desagregador de uma união que existiu até que as definições individuais entraram em cena a partir de 1965.

Mas ainda dentro de um exercício Existencialista a La Sartre, nos deparamos com o fato de que o homem que se define, descobre a necessidade de ter liberdade, a qual segundo ele é “a condição a qual todos os homens estão condenados devido ao fato de possuírem escolhas”. Essa “definição” individual me soa como o “Anjo Exterminador” de Luis Buñel, onde a exposição das necessidades individuais leva ao “caos”. Teria o Anjo Exterminador, sido Yoko ou a percepção do desejo de liberdade por parte de cada Beatle? Unir-se em uma banda, é elemento volitivo individual, decorrente da liberdade que conduz à escolha. Permanecer em uma banda é outro elemento volitivo decorrente da liberdade. Até que ponto os quatro não tinham o mesmo desejo?

Ainda sob essa visão, pode-se afirmar que a partir do momento em que o homem se define, ele pode “desejar” ser algo e em seguida, o é, e muitas vezes esse “desejo” de ser algo pode dar margem a se fazer algo de má-fé, onde a má-fé poderia ser o fato de John ter trazido Yoko para o estúdio.

A má-fé poderia ser vista também como a escolha de Harrison em se rebelar contra Paul, bem como a necessidade de controle por parte de Paul, a apatia de Ringo, ou melhor, seu tédio pela percepção do ambiente e a falta de motivação, como conseqüência de sua própria escolha, ou em ter se juntado aos Beatles, ou mesmo do conformismo com sua posição dentro da banda, ou ainda simplesmente, o estado das coisas.

Considerando-se que o mundo “em si” seja “Absurdo”, ou melhor, “Injusto” sob a ótica de Albert Camus, uma vida significativa, pode a qualquer momento, perder todo o sentido. As razões que levam a isso, segundo Camus, podem variar de uma tragédia que destrua a vida de uma pessoa ou o resultado de um questionamento honesto por parte de um indivíduo sobre sua própria existência. Assim sendo, uma vida significativa poderia ser entendida como a existência de uma banda, a vida da mesma como um ser individualizado e toda sua história que conduziu à insignificância do permanecer-se unida, pois cada Beatle, em um contexto existencialista, pode ter se definido, ou até mesmo, percebido a insignificância das coisas. A constatação de que no final tudo se resume a uma coisa só, qual seja absoltamente nada. Tal percepção do quanto isso tudo pode ser difícil para pessoas emocionalmente instáveis pode levar ao cerne do Existencialismo: a constatação de Albert Camus quando alega que “Existe apenas um único problema filosófico sério, qual seja o suicídio”.

Penso que os Beatles possam ter se suicidado em conjunto em frente às câmeras nesse “documento existencialista” (para mim), chamado “Let it Be.

Maharishi Mahesh Yogi Is Gone

Mharishi Mahesh Yogi, um guru para os Beatles, que introduziu o Ocidente a meditação transcendental, faleceu em sua casa na cidade holandesa de Vlodrop, disse um porta-voz.

Acredita-se que ele tivesse 91 anos.

De acordo com o porta-voz Bob Roth, "Ele morreu pacificamente por volta das 7hrs. da manhã”. O eterno primeiro guru dos Beatles, introduzido à banda por George Harrison, em 1967, foi o fundador do movimento Meditação Transcendental. Ele também referiu-se a sua morte como o resultado de "causas naturais", devido à sua idade.

Uma vez julgado misticismo hippie, a prática hindu de controle da mente a qual Maharishi ensinou, chamada meditação transcendental, gradualmente ganhou respeitabilidade médica.

Não há dúvida o seu nome está eternamente ligado aos Beatles devido à necessidade de equilíbrio emocional/espiritual de George Harrison, o que o fez buscar alternativas que o levaram ao Maharishi.

Sua decisão em participar de seu curso de Meditação Transcendental em 1968 após ter assistido a uma palestra de Maharishi em Londres em 1967 atraiu os outros três Beatles, que passaram a primeira parte de 1968 em Rishikesh, Uttar Pradesh, na Índia, estudando com o Maharishi Mahesh Yogi. Tal período foi marcado pela controvérsia em torno dos Beatles e seu relacionamento com Maharishi.

John Lennon abandonou o curso com um "gosto ruim", em suas próprias palavras, e descreveu sua "festas" como "nem sempre tão agradáveis como gostaríamos de vê-las." Lennon da decisão de caminhar para fora resultou na inspiração para ele escrever a música "Sexy Sadie", um clássico sintonizar a partir da White Album, que contém as duras versículo "O que você fez? Você fez um tolo de todos".

Há rumores tendenciosos da época sobre um possível envolvimento de Mia Farrow com o Maharishi, embora a sua autobiografia seja ambígua sobre o assunto.

De acordo com diversos autores, incluindo Cynthia Lennon, em 1978, Alexis Mardas (o chefe do The Beatles' Apple Electronics) deliberadamente propagar esses rumores, pois ele estava determinado a minar a sua influência sobre o Maharishi Beatles.

George Harrison afirmou no apoio ao Maharishi, "Agora, historicamente, há a história de que algo estava acontecendo, o qual não deveria ter sido feito, mas nada aconteceu." Esta declaração foi apoiada pelos comentários feitos por Paul McCartney em sua biografia aprovada. Apesar da polêmica, não houve verdade na hipótese de que o Maharishi estivesse “flertando”.

Aparentemente, John Lennon ficou realmente irritado com o Maharishi quando os Beatles souberam da morte de Brian Epstein em 27 de agosto de 1967 e as observações feitas sobre o seu falecimento pelo Maharishi. O Maharishi disse nessa altura "esquecam, sejam felizes". John não compreendeu as palavras do Guru devido a sua dor.

John Lennon admitiu "um erro de julgamento", ter escrito a sarcástica "Sexy Sadie" sobre o Maharishi. George Harrison desertou do movimento Hare Krishna, embora ele continuasse apoiando o Partido da “Natural Law” (Lei Natural) na Grã-Bretanha.

Se Brian Epstein não tivesse tomado seis comprimidos de Carbitral para dormir… Quem sabe? The Beatles poderiam ainda estar juntos no final das contas...


O Maharishi (primeiro vídeo no Youtube a informar sua morte)

Two of Us e Charles Hawtrey

Charles Hawtrey, citado por John Lennon de forma emblemática no início da canção “Two of Us” do álbum Let it Be, nasceu George Frederick Joffre Hartree em 30 de novembro de 1914.

Maiores detalhes no vídeo abaixo:

Em tempo, aproveite para saber o que eram os Deaf-Aids!

Sir Walter Raleigh - O Alpinista Social

Lennon se refere a Walter Raleigh em sua canção "I'm So Tired" culpando-lhe pelo cigarro! Aqui está uma breve biografia desse alpinista social do século XVI.


Although I'm so Tired, I'll have another cigarette and curse Sir Walter Raleigh, he was such a stupid git...